quinta-feira, 11 de junho de 2009
Evocação
Cansei-me deste exílio de onde há dias
fugi na direcção do mar. A gente
abandonara a praia, os gritos e os navios,
que nunca navegaram, tinham fundeado
na areia onde as gaivotas devoravam
as pegadas humanas, deixando as suas
que o vento apagaria à noite,
e as ondas repetiam a espúria eternidade.
Que mais posso dizer? Que fui eu quem voltoua
o exílio, que os cedros escurecem,
que os dias não tornaram mais com alegria,
que vejo na cidade, em janelas como esta,
caminhos incompletos atrás das vidraças
e, à distância, outra larga frente ao mar,
onde, olhando, o teu vulto permanece.
Nuno Dempster
in "Dispersão - Poesia Reunida"
quinta-feira, 4 de junho de 2009
•Boas Maneiras de se Lembrar de Velhos Hábitos.
O coração aperta
A lágrima corre
e o Meu rosto percorre
Só uma coisa pode significar
que Ela, por assim dizer,
Simplesmente,
Deixou de me amar.
Oque um dia era sonho,
Durante a noite se transforma em pesadelo,
Não me pergunte no que eu creio,
Apenas pergunte se eu creio.
Oque o Sol transparece,
Na névoa desaparece,
Minha vida se transforma
Porém, meu coração não suporta
Por um instante, um triz,
Deixei de ser feliz
Ainda ouço ela, me perguntando
Como é que se diz?!
Por:Raphael C. Navarro (XÉDOW the BFDPDC)
• O Corvo
Edgar Allan Poe
Tradução em prosa por Helder da Rocha
Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava, fraco e cansado, sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido; enquanto cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu quarto. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu quarto - É só isto e nada mais."
Ah, que eu bem disso me lembro, foi no triste mês de dezembro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente Leonor - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de Leonor - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.
E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."
Mas depois minha alma ficou mais forte, e não mais hesitando falei: "Senhor", disse, "ou Senhora, vos imploro sincero vosso perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu quarto, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.
Encarei as profundezas daquelas trevas, e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos mortal algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "Leonor!". Fui eu quem a disse, e um eco murmurou de volta a palavra "Leonor!". Somente isto e nada mais.
De volta, ao quarto me volvendo, toda minh'alma dentro de mim ardendo, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Certamente," disse eu, "certamente tem alguma coisa na minha janela! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser o vento e nada mais!"
•The nightmare !
O pior dos pesadelos, seria ele ver a tí sucumbir em meu lugar, pois nesse mundo o único que espera por você sou eu ! A dor de observar tudo acabar lentamente como pequenos fragmentos de uma estrela quebrada em pedaços que aos poucos vão perdendo seu brilho. Mais uma noite de luar, o canto para a deusa, o tributo a hereges, tudo para pelo menos encontrar seu explendor caminhando em ruas com sonhos imaculados que aos poucos estão virando pesadelos,sangue e horror em toda parte, pois sem você nada tem graça as trevas aparentemente a única solução,para o desfeixo. Impuros, andando pela rua .. Olhares de fúria, dizendo "Nunca mais !".Então em um hino maldito que carrego em meu peito irei rogar ele mil vezes ! Mil Vezes!.Palavras doces, para encantar e iludir !Nada é tão real a não ser a dor que agora atinge meu coração como um sutíl flecha de prata que ao trepassar o mesmo, é tão comum, tento achar que é normal.Pois se sofrimento é a única saida então que seja assim será feito, irei rezar, ao longo dos séculos para que a luz dos fragmentos estrelares nunca virem pó e continuem a brilhar. Ao anoitecer e quando toda dor não parecer nada, ser algo completamente fútil, irei Uivar como um lobo que venera a lua,Uivar tão alto para que os ventos de alguma forma levem minha mensagem a você........E assim acabar de vez, retirando a flecha de prata saliente em meu peito...quarta-feira, 3 de junho de 2009
seria para mim prazer divino;
mas eu desprezo os risos da fortuna,
que podem profanar o meu destino.
Feliz de mim se repousasse um pouco
sobre o teu níveo seio que palpita:
mas fere a maldição os meus desejos,
a paz voara e te deixara aflita.
Em silêncio nasceu, cresce em silêncio,
este amor infinito, único, eterno.
Irei agora, abrindo-te minha alma,
exilar-te do céu, abrir-te o inferno?
Não, oh meu anjo, além escuto o eco
da maldição da nossa sociedade;
ouvi-lo, sem corar, não poderias,
expire pois a nossa felicidade.
Qu'importa o fogo que em meu peito lavra,
qu'mporta a febre que me rói a vida,
se a tua correrá serena e pura,
de prazeres somente entretecida?
Roubar teu coração à paz dos anjos,
e nele despargir os meus amores,
oh! fora um crime, um sacrilégio horrível;
para puni-lo não houveram dores.
E, pois, para livrar-te ao precipício,
adeus, meu anjo, fugitivo corro:
rocem embora os teus, os lábios d'outrem,
será breve o penar, porque já morro.
Sim, agonizarei talvez bem pouco,
porque meus dias 'stão pedindo graça,
oh! para possuir-te, afrontaria
infâmias, porém não tua desgraça.
Ao menos ficarás de um crime isenta,
o porvir para ti será de flores;
qu'importa que minha alma se torture,
se tu não sofrerás por meus amores?
Lord Byron .
